REPRIMIR EMOÇÕES PODE AUMENTAR O RISCO DE SUICÍDIO EM HOMENS

Por Dr.Paulo Roberto Reis

Psicólogo/Gerontólogo

 

Reprimir emoções não é só “segurar a onda”: é deixar de pedir ajuda quando o corpo e a mente estão gritando por suporte. Muitos homens foram educados para não chorar, não reclamar e “dar conta” sozinhos, e essa cultura de silêncio transforma angústia em isolamento. Dados globais mostram que, em 2021, cerca de 727 mil pessoas morreram por suicídio, e uma parcela importante dessas mortes ocorre entre homens, que apresentam taxas de mortalidade por suicídio muito superiores às das mulheres.

Quando emoções dolorosas são negadas ou engolidas, aumentam pensamentos ruminativos, uso de substâncias e comportamentos impulsivos que podem precipitar uma crise. Entender esse processo não é apontar fraqueza: é reconhecer um padrão que pode (e deve) ser interrompido com cuidado. Os números por trás do silêncio são claros: em vários países a proporção de óbitos por suicídio entre homens é mais que o dobro da registrada em mulheres, e estudos mostram que homens costumam relutar muito mais em pedir ajuda ou falar de sofrimento.

 Essa discrepância não nasce de uma causa única – envolve fatores biológicos, culturais, econômicos e sociais, mas a dificuldade de expressar emoções é um componente recorrente nas pesquisas. Homens que reprimem tristeza, vergonha ou medo tendem a ficar mais isolados e com menos redes de apoio emocional, o que aumenta o risco de que uma crise se transforme em tragédia. Mostrar vulnerabilidade ainda é visto, em muitos grupos, como sinal de fragilidade, o que reforça o ciclo de silêncio. Precisamos conversar sobre como transformar coragem em falar, não em sofrer calado.

A relação entre supressão emocional e ideação/tentativa suicida tem respaldo científico: pesquisas indicam que estratégias de supressão mediavam a ligação entre adversidades e pensamentos suicidas, e trabalhos sobre masculinidade apontam que esconder emoções é um fator de risco relevante. Ou seja, não se trata apenas de “ser forte”, mas de um padrão psicológico que prejudica a regulação emocional e o contato com quem poderia ajudar. Quando emoções não são processadas, vêm os pensamentos fixos, o desespero e, muitas vezes, a busca por saídas rápidas, que podem ser letais. Romper esse mecanismo exige atenção precoce e intervenções que trabalhem habilidades emocionais concretas. Não é frescura: é saúde mental. 

No contexto brasileiro, o problema aparece em números alarmantes: registros recentes apontam milhares de internações e dezenas de milhares de óbitos por suicídio ao longo dos últimos anos, com tendência de aumento em certas regiões e grupos etários. Isso reforça que o fenômeno é coletivo e que políticas públicas, redes de saúde e profissionais precisam atuar de forma coordenada para identificar risco, oferecer acolhimento e tratamentos eficazes.

Como psicólogo clínico, tenho visto no consultório homens que chegam apenas quando a sobrecarga se torna insuportável, e muitas vezes, com estratégias terapêuticas simples e focadas, conseguimos reduzir a angústia e restaurar conexões importantes. A atenção à prevenção envolve escuta ativa, avaliação de risco e encaminhamentos rápidos quando necessário; não se espera que o sofrimento “desapareça sozinho”. 

Tratamento e prevenção funcionam: intervenções psicoterapêuticas específicas, especialmente abordagens baseadas na terapia cognitivo-comportamental e em protocolos breves focalizados em risco suicida, mostram redução significativa em ideação e em novas tentativas. Estudos controlados e revisões apontam que a TCC e versões breves de terapia cognitivo-comportamental reduzem ideias suicidas e até tentativas repetidas, e que modalidades remotas também são efetivas – o que amplia acesso. 

A terapia não é mágica, mas oferece ferramentas práticas: identificar pensamentos automáticos, reestruturar crenças de desesperança, elaborar planos de segurança e fortalecer a rede de apoio. Se você é homem e sente que “não pode” falar, permita-se testar um caminho diferente: procurar um profissional é um ato de coragem e autocuidado. Eu, Psicólogo Paulo Roberto Reis, trabalho com abordagens baseadas em evidências para acolher homens em sofrimento e ajudar a transformar silêncio em cuidado. Para quem lê: se você está em risco agora, procure serviços de emergência locais ou linhas de apoio – pedir ajuda salva vidas. 

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