PARE DE PRECONCEITO: PSICÓLOGO NÃO É COISA DE “DOIDO”

Por Paulo Roberto Reis

Psicólogo clínico/Gerontólogo

 

Pare de preconceito. Quando alguém ainda diz que “psicólogo é coisa de doido”, fica evidente como ainda carregamos estigmas antigos e dolorosos sobre saúde mental. Falar disso não é exagero, eu escuto isso até hoje no consultório, quando um paciente chega tímido, justificando que “não queria vir”, como se buscar ajuda fosse motivo de vergonha. Como psicólogo clínico, vejo todos os dias pessoas sofrendo em silêncio porque têm medo do julgamento. E você que me lê agora talvez já tenha pensado assim ou já ouviu alguém dizer. Mas quero te convidar a olhar diferente. Talvez seja hora de rever essa ideia.

Quando alguém procura psicoterapia, não está “doido”; está se cuidando. É a mesma lógica de quem faz atividade física para manter o corpo saudável. Só que a mente ainda não recebe o mesmo reconhecimento. Muitas pessoas só buscam ajuda quando já estão no limite, com crises de ansiedade, dificuldades no trabalho, problemas no relacionamento ou sensação constante de exaustão. E isso poderia ser evitado se a prevenção fosse levada mais a sério. A psicoterapia é justamente esse espaço seguro, profissional e ético para organizar pensamentos, sentimentos e escolhas. Não tem nada de fraqueza nisso. Pelo contrário: exige coragem.

Eu costumo dizer no consultório que ninguém nasce sabendo lidar com tudo. A vida muda, os desafios mudam, e nossa forma de sentir também. Como psicólogo, acompanho pessoas que antes achavam que terapia não era para elas, até entenderem que falar, elaborar e ser ouvido muda tudo. Aprenderam que pedir ajuda não diminui ninguém – fortalece. E eu me alegro quando percebo que esse preconceito vai ficando para trás e a pessoa começa a se reconhecer como alguém que merece cuidado. Você também merece.

Saúde mental não é coisa distante; é cotidiana. Está na forma como lidamos com frustrações, na maneira como pensamos sobre nós mesmos, nos medos que não contamos para ninguém, nos esquemas de vida que repetimos sem perceber. Na psicoterapia, você passa a perceber o que te machuca e também o que te fortalece. Como psicólogo que trabalha com pessoas reais, com histórias reais, posso te dizer: ninguém sai de uma sessão pior do que entrou. Às vezes sai emocionado, mas sai mais consciente de si. E consciência é o início da mudança.

Então, se ainda existe dentro de você algum receio de buscar ajuda, respira fundo e olha com mais carinho para essa possibilidade. Não espere entrar em colapso para cuidar de si. Prevenir sofrimento psíquico também é cuidado, responsabilidade e maturidade emocional. A terapia não é sobre “curar doidice”; é sobre melhorar a vida. É sobre aprender, amadurecer, ressignificar, se permitir viver com mais leveza. E como psicólogo clínico, te digo com toda sinceridade: quando alguém se autoriza a começar, descobre que merecia ter feito isso muito antes. Você também pode.

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