SAÚDE MENTAL DA PESSOA IDOSA NO PERÍODO DE CARNAVAL

Por Paulo Roberto Reis

Psicólogo CRP 03/27928

 

O Carnaval é, para muitas pessoas, sinônimo de alegria, encontro, música e pertencimento. Para a pessoa idosa, a festa pode ter um valor emocional ainda maior, pois resgata memórias afetivas, ativa vínculos sociais e promove sensação de vitalidade. Envelhecer não significa deixar de desejar experiências prazerosas. Pelo contrário: o direito ao lazer, à celebração e ao convívio social faz parte de um envelhecimento saudável e com dignidade.

Do ponto de vista psicológico, a alegria tem função reguladora do humor, da motivação e da esperança. Momentos festivos atuam como “molas propulsoras” da saúde emocional, ajudando a aliviar o estresse, reduzir sentimentos de solidão e estimular o senso de pertencimento. A festa, quando vivida com cuidado, pode fortalecer a autoestima da pessoa idosa, lembrando-a de que ela continua sendo sujeito de desejo, história e vida social ativa.

Para a pessoa idosa que deseja curtir a folia, o principal cuidado é respeitar seus próprios limites físicos e emocionais. Não é preciso acompanhar o ritmo de pessoas mais jovens para se sentir incluído. Escolher horários mais tranquilos, ambientes seguros e locais com estrutura mínima faz toda a diferença. Descansar quando necessário, alimentar-se bem e ouvir os sinais do próprio corpo é uma forma de autocuidado, não de fragilidade.

Alguns cuidados básicos fazem grande diferença durante o Carnaval: hidratação constante à base de água, uso de protetor solar, roupas leves, calçados confortáveis e pausas para descanso. Evitar longas exposições ao sol e ambientes excessivamente cheios também ajuda a prevenir mal-estar físico e emocional. Esses cuidados não tiram a graça da festa, pelo contrário, permitem que ela seja vivida com mais segurança e prazer.

Para cuidadores, familiares e pessoas próximas, é importante lembrar que cuidar não é controlar. Muitas vezes, o medo de que algo aconteça leva a posturas de proibição ou excesso de vigilância, que podem gerar infantilização da pessoa idosa. O convite aqui é para o cuidado responsável: conversar, combinar limites, planejar juntos, pensar em trajetos seguros e estar disponível para apoiar, sem anular a autonomia de quem envelhece.

O cuidador também tem direito ao lazer, ao descanso e à alegria. Cuidar de alguém não significa abrir mão de viver a própria vida. É possível construir acordos: horários combinados, alguém de referência em caso de necessidade, contatos à mão, checagens combinadas ao longo do dia. Quando o cuidado é compartilhado e dialogado, todos ganham: quem cuida e quem é cuidado.

Por fim, é importante combater o preconceito etário que associa velhice a isolamento, rigidez ou ausência de desejo de viver. Pessoas idosas não precisam se esconder do mundo para “dar lugar” aos mais jovens. Elas têm direito à festa, ao riso, ao encontro e à alegria. Promover saúde mental no envelhecimento é reconhecer que viver bem também inclui celebrar, brincar, se emocionar e continuar fazendo parte da vida social.

    Compartilhe:
    Online: R$ 100
    Presencial: R$ 150