SETEMBRO AMARELO CHEGOU: Um convite à vida

setembro amarelo

Todos os anos, o mês de setembro nos convida a refletir sobre um tema delicado, mas essencial: a prevenção ao suicídio. O Setembro Amarelo é uma campanha nacional que busca conscientizar a sociedade sobre a importância de cuidar da saúde mental, promovendo diálogo, acolhimento e informação. Falar sobre esse assunto não significa incentivar, mas sim prevenir. O silêncio, muitas vezes, é o que mais adoece.

Como psicólogo clínico, atuando com a Terapia Cognitivo-Comportamental, acompanho de perto pessoas que atravessam momentos de intenso sofrimento psíquico. Muitas vezes, chegam ao consultório carregando pensamentos de desesperança, crenças negativas sobre si mesmas e dificuldades para lidar com as próprias emoções. Essas vivências me mostram, dia após dia, que quando o sofrimento não encontra espaço para ser compartilhado, ele tende a se intensificar. Por isso, acredito que falar abertamente sobre saúde mental é um gesto de cuidado e de responsabilidade social.

É importante aprender a reconhecer sinais de que alguém pode estar precisando de apoio. Mudanças bruscas de comportamento, isolamento social, perda de interesse por atividades antes prazerosas, alterações no sono ou no apetite e frases que revelam desesperança são alguns indícios que merecem atenção. Cada pessoa manifesta seu sofrimento de forma única, mas, em todos os casos, uma escuta acolhedora e sem julgamentos pode fazer grande diferença.

Conversar sobre o tema exige sensibilidade. Não é necessário ter todas as respostas, mas estar presente e disposto a ouvir já é um gesto valioso. Sempre oriento familiares e amigos a evitar frases que minimizam a dor, como “isso é frescura” ou “há pessoas em situação pior”. O que realmente ajuda é mostrar preocupação genuína, oferecer apoio e encorajar a busca por acompanhamento profissional. Pequenas atitudes podem abrir caminho para que alguém encontre novas possibilidades de cuidado e esperança.

Na prática clínica, vejo como a Terapia Cognitivo-Comportamental pode auxiliar na prevenção do suicídio. Esse trabalho permite identificar e reestruturar pensamentos automáticos que alimentam a dor emocional, fortalecer recursos internos e desenvolver estratégias mais saudáveis de enfrentamento. O processo terapêutico não se limita a técnicas; ele também envolve acolhimento, presença e o compromisso de caminhar junto com a pessoa no momento em que ela mais precisa.

O Setembro Amarelo nos lembra que falar sobre saúde mental é responsabilidade de todos. Mais do que uma campanha de um mês, é um convite a cultivar, durante todo o ano, o cuidado com a vida. Se você está enfrentando um momento difícil, ou conhece alguém que precisa de apoio, não hesite em buscar ajuda. Procurar acompanhamento psicológico não é sinal de fraqueza, mas de coragem. Sempre é possível recomeçar, sempre é possível encontrar novos caminhos.

Paulo Roberto Santos Reis Soares é psicólogo clínico (CRP 03/27928), formado pela Universidade Católica do Salvador (UCSAL). É especialista em Neuropsicologia e em Gerontologia, além de possuir graduação em Teologia. Atualmente, é mestrando em Estudos de Linguagens, pesquisando literatura, envelhecimento e cultura. Atua na clínica Longevos Psicologia, em Salvador e região metropolitana, com foco em Terapia Cognitivo-Comportamental (TCC), acompanhando crianças, adolescentes, adultos e idosos, além de oferecer supervisão clínica a estagiários e profissionais. Tem experiência no cuidado de pessoas em intenso sofrimento psíquico, incluindo quadros de ansiedade, depressão, TDAH, TEA e também questões ligadas ao processo de envelhecimento, como declínio cognitivo, perdas emocionais e desafios de adaptação nessa fase da vida.

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